quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Dinâmica das Cidades

As localidades urbanas geralmente se assentam sobre um ambiente calcado em raízes históricas e culturais, que guardam respeito com a formação e o crescimento de uma cidade a partir de determinado núcleo, desenhando um ambiente próprio, onde há uma história, uma cultura peculiar urbana, ditada pôr lineamentos arquitetônicos, paisagísticos e sociológicos.
Assim, para entendermos uma cidade é preciso verificarmos a sua dinâmica, a sua geografia e a sua história.
Percebemos a dinâmica de uma cidade ao observarmos a movimentação de pessoas, sua estrutura social, a reprodução da força de trabalho, a existência e a localização de indústrias, a produção de riquezas, as relações comerciais, as redes de serviços, as vias de circulação e a localização de casas.
De certo modo, podemos entender que o urbano é resultado do processo de produção num determinado momento histórico, em relação a determinação econômica e também a social, política e ideológica. Torna-se assim, não só um modo de produzir, mas também de consumir, pensar, ou seja, um modo de vida.
Na atualidade, há uma divisão capitalista do espaço urbano, onde alguns mecanismos exibem a interdependência entre a organização social e a espacial.

Distribuição de recursos e serviços na organização espacial

Organização espacial é o arranjo espacial, estrutura territorial e espaço socialmente produzido pelo homem no decorrer da História, ou seja, campos, caminhos, minas, dutos, redes, fábricas, lojas, habitações, templos, etc, dispostos sobre a superfície da terra. É a transformação da natureza pelo trabalho social, de acordo com as possibilidades que cada sociedade possui e que derivam do desenvolvimento e das relações sociais e de produção.
As cidades possuem diferentes dimensões, paisagens e dinâmicas, que fazem com que cada cidade tenha características próprias de crescimento.
Esse crescimento pode ser horizontal ou vertical, orientado pelo aumento da população em relação a ocupação de um dado território.
No crescimento horizontal , a cidade vai ocupando áreas antes utilizadas para atividades primárias. Essas áreas são divididas em lotes, isto é, frações do território urbano que variam de tamanho e são comprados e vendidos de acordo com o poder aquisitivo de sua população.
Quando um lote é retido por muito tempo, pode significar que seu proprietário está esperando que seu preço aumente para posteriormente vender. É o processo de especulação imobiliária e que traz muitas consequências para o social.
Essa retenção artificial do solo urbano provoca uma escassez artificial do chão, obrigando a cidade a expandir-se horizontalmente, criando loteamentos em áreas cada vez mais distantes.
Na forma de crescimento vertical, percebemos o aumento do número de edifícios. A aglomeração de prédios se faz maior no centro, dispersando-se a medida que vamos nos afastando para os bairros mais distantes.
O crescimento vertical de uma cidade ocorre para atender as exigências de moradia de sua população, com o aparecimento de edifícios residenciais, ou para criar espaço para atividades econômicas.
Esse crescimento depende da ação dos agentes que atuam na estruturação urbana, tanto o poder público como a iniciativa privada.
A disposição da população neste espaço, está relacionada ao poder capitalista que se impõe. Assim, as camadas mais baixas da população ocuparão terrenos desfavoráveis , onde as construções geralmente são onerosas e quase impossíveis, localizando-se em áreas periféricas ou nos centros deteriorados, onde o solo possui menor preço no mercado.
Contudo, apesar do menor custo do solo, essas populações nem sempre conseguem ter moradia própria e pagam altos aluguéis, pôr residências muitas vezes inadequadas para a ocupação humana.
Além de residirem em péssimas condições, essas populações tem dificuldade de acesso aos recursos que garantem o bem-estar-social, como transporte, habitação, emprego, educação, saúde, lazer, saneamento básico, meios de comunicação e assistência social. Vejamos :
- Transporte : deve ser entendido e aceito como serviço público, isto é , que serve para o uso de todos , seja ele explorado pôr uma empresa estatal, ou por uma empresa privada, cujo objetivo maior no capitalismo é o lucro.
Cabe então ao poder público, a responsabilidade de organizar e fiscalizar o funcionamento desse sistema, para garantir a qualidade e a confiabilidade dos usuário, que são em sua maioria assalariados, que dependem dele para sua locomoção até o emprego e a outros serviços de que necessite, e que ficam a grandes distâncias de suas residências.
- Habitação : designa o lugar de moradia das pessoas, pois todos necessitam de um lugar para viver, onde irão construir sua história.
Como uma minoria da população possui condições de adquirir uma residência própria, o governo cria políticas que estimulam financiamentos para autoconstrução de casa, e outros programas de habitação popular, assim surgem também nas cidades, conjuntos habitacionais de casa ou apartamentos pequenos e as vezes de baixa qualidade, entretanto, mesmo sob a ação governamental, uma grande parcela da população ainda não tem tido acesso à uma moradia, passando a ocupar abrigos em pontes e viadutos.
- Emprego : com a revolução tecnológica, a globalização da economia, com a baixa escolaridade da população e com o alto nível de qualidade profissional exigidos, o índice de desemprego tem sido bastante elevado, contribuindo para o crescimento do mercado de trabalho informal.
No sistema capitalista pode-se afirmar que o número de empregos é sempre menor que o número de trabalhadores.
Essa relação de desequílibrio é essencial para o sistema vigente, porque permite uma pressão sobre o salários, para eles permaneçam sempre mais baixos do que deveriam estar. Isto quer dizer que, quanto mais pessoas estiverem a procura de emprego , menor será o salário oferecido pôr seu trabalho, aplicando-se a qualquer nível e função.
- Educação : a necessidade de aprender a ler e escrever tornou-se premente, sendo um direito do cidadão .
A alfabetização é possibilitada de maneira diferente para as pessoas. Tanto crianças em idade escolar podem Ter acesso a ela, quanto adultos, em programas especiais. Diferente também é a possibilidade que cada um tem de ir a escola, pois existem crianças que dedicam-se integralmente aos estudos, e outras que precisam exercer algum trabalho para ajudar na manutenção da família. Este problema é agravado porque muitas nem vaga tem conseguido nas escolas mais próximas e outras estão dentro de um deficiência do ensino, devido a insuficiência do equipamento e número de mestres.
- Saúde : a saúde de uma população depende das possibilidades de acesso a assistência médica, a hospitais, entre outros. Deve ser entendida como um direito do cidadão, sendo papel do governo formar políticas de saúde que atendam as reais necessidades da população.
No entanto, grande parcela da população encontra dificuldade em utilizar os serviços de saúde, deparando-se com problemas como insuficiência de leitos, mau estruturação de hospitais, falta de equipamentos, etc , que fazem com que o indivíduo encontre-se a margem da saúde pública, não tendo com isso, o atendimento necessário a uma de suas necessidades básicas.
- Lazer : é a ocupação do tempo vago em algo que dê prazer para quem o faz.
Assim, o lazer é diferenciado de acordo com o poder de compra de cada família, com isso a maior parte da população não usufrui do lazer ou o faz no próprio local de moradia,, pois não possui poder aquisitivo para viagens. Entretanto, muitas vezes, mesmo o lazer local torna-se inacessível para muitos, pois quase todo evento de lazer tem representado algum custo.
Além disso, os eventos destinados ao lazer são direcionados aos mais jovens, não atingindo a todas as faixas etárias da população.
- Saneamento básico : refere-se aos elementos da infra-estrutura da cidade, necessários a manutenção de condições condizentes com a saúde pública. Dentre estes estão a canalização de córregos, a rede de água e esgoto, a energia elétrica, o asfaltamento de ruas, a coleta e a destinação do lixo urbano residencial e industrial.
O morador da periferia sempre é o mais privado, pois tanto os bens como os serviços que são “gerais” e “coletivos”, dependem de dinheiro para sua obtenção em cada bairro, o que quase sempre se transforma em mais um transtorno, já que pela baixa renda, o salário está destinado somente à sobrevivência.
- Meios de comunicação : em qualquer país eles interferem fortemente na formação do caráter coletivo da civilização, mas só em entendido em sua essência, quando estudado com muito cuidado e sem se basear apenas em opiniões pessoais, pois tornam-se massificadores, quando fazem com que os indivíduos aceitem idéias prontas, não conseguindo discernir sobre o que é bom ou ruim para o coletivo.
- Assistência social : é um conjunto de medidas para atender as necessidades básicas do indivíduo , de caráter não contributivo e que constitui um direito de todo cidadão.
Assim, a assistência social tem como objetivo suplementar os outros atendimentos , quando significam bloqueios ou impedimentos de ordem social, para a sobrevivência dos indivíduos.
Todos esse recursos e serviços, devem se interagir para garantir a população melhores condições de vida, sempre.

Qualidade de vida e desenvolvimento

Nos centros urbanos qualidade vida é ampliação crescente do acesso aos bens e serviços produzidos em sociedade, ligada a elevação da condição humana.
Desenvolvimento pode ser entendido socialmente, como um processo contínuo e global, devendo ser dirigido a todos os cidadãos, independente da classe social. Deve ser a criação constante do homem do homem frente aos desafios sociais ocorridos na vida em comunidade.
Assim , desenvolvimento supõe a sua criação no usufruir do crescimento econômico, no progresso tecnológico e social
O desenvolvimento deve então, favorecer ao alcance de uma vida com qualidade a todos os cidadãos, mas o que se constata é que existe uma grande parcela da população brasileira, que hoje não tem conseguido usufruir do processo de desenvolvimento, pôr encontrar-se a margem do modo de produção.
Deste modo, na atual sociedade os que já possuem uma vida estável e com qualidade, aumentam cada vez mais sua participação no processo de desenvolvimento e aqueles que ficam “fora”, acabam pôr formar uma imensa massa humana de excluídos, que vivem em situações cada vez mais precárias.

Pobreza e exclusão social


exclusão significa estar fora de algo, estar privado, e então, excluídos aqui, segundo alguns autores, são aquelas pessoas que “estão fora” do modo de produção da sociedade e portanto a sua margem.
Essas pessoas geralmente estão privadas de trabalho e emprego, vivendo de trabalhos esporádicos ou ainda ocupando empregos mal remunerados, e em conseqüência disso acabam não possuindo condições dignas para consumir nem o essencial, como alimentação, medicamentos, moradia, entre outros bens. Restando assim a essa população, os densamente ocupados cortiços localizados próximos ao centro da cidade , casa produzidas pela autoconstrução em loteamentos periféricos, conjuntos habitacionais produzidos pelo Estado, em via de regra distante dos centros, e as favelas quem em terrenos públicos ou privados invadidos, acabam formando grupos sociais excluídos, mas como agentes modeladores, ou seja, que produzem seu próprio espaço nas cidades.
Essa produção de espaço “é uma forma de resistência, e ao mesmo tempo estratégia de sobrevivência, impostas a esses grupos que lutam por um espaço dentro das cidades”.¹
Além deste, co-existem outros problemas que ligados ao problema habitacional como : alimentação inadequada, ausência de infra-estrutura, baixo nível de escolaridade, alto custo de transporte coletivo.
Todas essas dificuldades aliadas, contribuem para que os socialmente excluídos, fiquem cada vez mais privados de recursos e bens de serviços e informações, contribuindo para que se estabeleça cada vez mais um círculo de miséria e destituição social, que deve sempre ser alvo de planejamento e investimento dos governos, principalmente do governo local.

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